P A L A V R A S - C H A V E :
Educação em saúde. Promoção
da saúde. Hipertensão.
EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO ENFRENTAMENTO DA HIPERTENSÃO
ARTERIAL:UMA NOVA ÓTICA PARA UM VELHO PROBLEMA .
RESUMO: O artigo apresenta os resultados de uma pesquisa bibliográfica, tendo por objetivo levantar a
produção científica multiprofissional e da enfermagem sobre a prática de educação em saúde nos serviços
de saúde, referentes ao enfrentamento da hipertensão. Os artigos foram selecionados quanto ao caráter do
processo pedagógico, a partir do enfoque da visão de saúde-doença, das possibilidades de participação dos
usuários e das dinâmicas utilizadas; identificando-se características emancipatórias ou normativas. Foram
analisados 46 artigos publicados entre 1981 e 2005 que contemplavam os aspectos avaliados. Conclui-se
que as experiências educativas com usuários portadores de hipertensão são incipientes e poucos artigos
se reportam à perspectiva de formação da “consciência crítica” sobre saúde.
INTRODUÇÃO
A Hipertensão Arterial (HA) é, sabidamente,
uma doença de alta prevalência nacional e mundial.
Os valores limítrofes para adultos (acima de 18
anos) hipertensos são definidos pela Pressão Arterial
Sistólica (PAS) entre 130 e 139 mmhg e Pressão
Arterial Diastólica (PAD) entre 85 e 89 mmhg.1 Em
1998, no Brasil, ocorreram 1.150.000 internações
por doenças cardiovasculares, com custo global de
475 milhões de reais, correspondendo, a aproximadamente
400 milhões de dólares.2
Sua evolução clínica é lenta, possui uma multiplicidade
de fatores e, quando não tratada adequadamente,
traz graves complicações, temporárias ou
permanentes. Representa elevado custo financeiro
à sociedade, principalmente por sua ocorrência
associada a agravos como doença cerebrovascular,
doença arterial coronária, insuficiência cardíaca e
renal crônicas, doença vascular de extremidades.
Sua característica crônica e silenciosa dificulta a
percepção dos sujeitos portadores do problema.
Torna-se assim “perversa” por sua invisibilidade, e
acaba por comprometer a qualidade de vida. Traz,
ainda, como conseqüências, internações e procedimentos
técnicos de alta complexidade, levando ao
absenteísmo no trabalho, óbitos e aposentadorias
precoces, comprometendo a qualidade de vida dos
grupos sociais mais vulneráveis.
As dificuldades em se gerar conhecimentos que
explicassem o surgimento de problemas de saúde
coletivos como doenças cardiovasculares e o câncer
contribuíram para fortalecer, na década de 60, os
questionamentos quanto ao modelo biomédico. Passou-se
a valorizar a importância do conhecimento das
ciências sociais enquanto referencial teórico-metodológico
para análise e reflexão das práticas de saúde.3
A natureza social da doença não se verifica no
caso clínico, mas no modo característico de adoecer
e morrer nos grupos humanos. A compreensão de
que o processo saúde-doença é socialmente determinado,
implica em reconhecer quais são as formas
de produzir e consumir de uma sociedade que determinam
o processo saúde-doença. A sociedade,
ao consumir, estabelece determinadas formas de
viver que, por outro lado, são determinadas pelas
formas de trabalhar e, por sua vez, também apresentam
um determinado potencial de fortalecimento
e um determinado potencial de desgaste à saúde.
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