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domingo, 10 de julho de 2016

Educação em saúde. Promoção da saúde. Hipertensão.

P A L A V R A S - C H A V E : Educação em saúde. Promoção da saúde. Hipertensão.

EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO ENFRENTAMENTO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL:UMA NOVA ÓTICA PARA UM VELHO PROBLEMA .



RESUMO: O artigo apresenta os resultados de uma pesquisa bibliográfica, tendo por objetivo levantar a produção científica multiprofissional e da enfermagem sobre a prática de educação em saúde nos serviços de saúde, referentes ao enfrentamento da hipertensão. Os artigos foram selecionados quanto ao caráter do processo pedagógico, a partir do enfoque da visão de saúde-doença, das possibilidades de participação dos usuários e das dinâmicas utilizadas; identificando-se características emancipatórias ou normativas. Foram analisados 46 artigos publicados entre 1981 e 2005 que contemplavam os aspectos avaliados. Conclui-se que as experiências educativas com usuários portadores de hipertensão são incipientes e poucos artigos se reportam à perspectiva de formação da “consciência crítica” sobre saúde.

INTRODUÇÃO A Hipertensão Arterial (HA) é, sabidamente, uma doença de alta prevalência nacional e mundial. Os valores limítrofes para adultos (acima de 18 anos) hipertensos são definidos pela Pressão Arterial Sistólica (PAS) entre 130 e 139 mmhg e Pressão Arterial Diastólica (PAD) entre 85 e 89 mmhg.1 Em 1998, no Brasil, ocorreram 1.150.000 internações por doenças cardiovasculares, com custo global de 475 milhões de reais, correspondendo, a aproximadamente 400 milhões de dólares.2 Sua evolução clínica é lenta, possui uma multiplicidade de fatores e, quando não tratada adequadamente, traz graves complicações, temporárias ou permanentes. Representa elevado custo financeiro à sociedade, principalmente por sua ocorrência associada a agravos como doença cerebrovascular, doença arterial coronária, insuficiência cardíaca e renal crônicas, doença vascular de extremidades. Sua característica crônica e silenciosa dificulta a percepção dos sujeitos portadores do problema. Torna-se assim “perversa” por sua invisibilidade, e acaba por comprometer a qualidade de vida. Traz, ainda, como conseqüências, internações e procedimentos técnicos de alta complexidade, levando ao absenteísmo no trabalho, óbitos e aposentadorias precoces, comprometendo a qualidade de vida dos grupos sociais mais vulneráveis. As dificuldades em se gerar conhecimentos que explicassem o surgimento de problemas de saúde coletivos como doenças cardiovasculares e o câncer contribuíram para fortalecer, na década de 60, os questionamentos quanto ao modelo biomédico. Passou-se a valorizar a importância do conhecimento das ciências sociais enquanto referencial teórico-metodológico para análise e reflexão das práticas de saúde.3 A natureza social da doença não se verifica no caso clínico, mas no modo característico de adoecer e morrer nos grupos humanos. A compreensão de que o processo saúde-doença é socialmente determinado, implica em reconhecer quais são as formas de produzir e consumir de uma sociedade que determinam o processo saúde-doença. A sociedade, ao consumir, estabelece determinadas formas de viver que, por outro lado, são determinadas pelas formas de trabalhar e, por sua vez, também apresentam um determinado potencial de fortalecimento e um determinado potencial de desgaste à saúde.  

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